Deputados da Comissão de Finanças apontam fraude e quebra de decoro do deputado Antônio Coelho (UB) em relatório sobre remanejamento na LOA

QUESTÃO PODE LEVAR A CASSAÇÃO DE COELHO SE COMPROVADA A FRAUDE DENUNCIADA

Os deputados estaduais Coronel Alberto Feitosa (PL) e Diogo Moraes (PSB) apresentaram ofícios à Presidência da Assembleia Legislativa contestando relatório da Comissão de Finanças que aprovava o remanejamento de 20% no orçamento do Estado, como quer o Governo Raquel Lyra (PSD).

Os parlamentares apontam, nos documentos, uma fraude orquestrada pelo presidente do colegiado, Antônio Coelho (UB), que enseja quebra de decoro e pode levar à cassação do mandato do petrolinense.

Feitosa e Diogo alegam, conforme, inclusive, se comprova em vídeo da sessão, que Antônio incluiu, no parecer do relator sobre outra matéria, o remanejamento dos 20% na LOA, coisa que ele mesmo tinha travado com um verdadeiro “nó” ainda em 2025.

Dep Antônio Coelho UB

O projeto em questão trata apenas de outro assunto, a abertura de Crédito Suplementar de R$ 155 milhões para o Tribunal de Justiça.

“Conforme tratamos por telefone na noite de ontem, reitero a solicitação para que não seja publicado o parecer da Comissão de Finanças relativo ao Projeto nº 3993/2026. Recebi, com perplexidade, por meio da imprensa, a informação de que o referido parecer teria incluído a ampliação da margem de remanejamento do orçamento estadual, por decreto, para 20%.

Tal deliberação, entretanto, não ocorreu na reunião de ontem. Em nenhum momento foi dada publicidade ao teor do parecer aos membros da Comissão, tampouco o seu Presidente ou o Relator fizeram qualquer menção à inclusão de emenda que acrescentasse matéria diversa da abertura de crédito em favor do Poder Judiciário”, destacou Feitosa, no documento.

O parlamentar seguiu com críticas. “Ao encaminhar, de forma sorrateira, para publicação, parecer em desacordo com o que foi efetivamente aprovado na reunião, o Presidente da Comissão incorre não apenas em desrespeito aos seus pares, mas também na prática de fraude processual. O comportamento reiterado do Presidente da Comissão, no sentido de tentar manipular tanto seus colegas quanto o regular processo legislativo, não pode mais ser tolerado. Diante disso, solicito a adoção de medidas urgentes para a imediata correção do parecer, de modo a refletir fielmente o que foi deliberado no âmbito da Comissão, bem como a devida responsabilização do seu Presidente pelos atos praticados”, finalizou.

Diogo Moraes foi na mesma linha. “Causou-me profunda surpresa a notícia, veiculada pela imprensa, de que o mencionado parecer teria incorporado a ampliação da margem de remanejamento do orçamento estadual, por meio de decreto, para o percentual de 20%. Esclareço que tal matéria não foi objeto de deliberação na reunião. Em nenhum momento o conteúdo do parecer foi apresentado aos membros da Comissão, tampouco houve, por parte do Presidente ou do Relator, qualquer referência à inclusão de emenda que extrapolasse o escopo da abertura de crédito destinada ao Poder Judiciário”, pontuou.

“A remessa para publicação de um parecer que diverge do que foi efetivamente discutido e aprovado configura conduta incompatível com o regular funcionamento da Comissão. Trata-se de atitude que desrespeita os seus membros e compromete a integridade do processo legislativo.

A reiteração desse tipo de comportamento por parte do Presidente da Comissão, ao tentar induzir seus pares a erro e distorcer o trâmite regular das matérias, ultrapassa os limites do aceitável. Diante disso, impõe-se a adoção imediata de providências para retificar o parecer, adequando-o ao que de fato foi deliberado, bem como para apurar a responsabilidade do Presidente pelos atos praticados”, finalizou Moraes em seu ofício.

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