Solo mais saudável, uvas mais produtivas no semiárido nordestino

Resultados obtidos em Petrolina mostram como o uso de bioinsumos fortalecem a viticultura 

O Vale do São Francisco, no semiárido nordestino, consolidou-se como um dos principais polos de viticultura do Brasil. Em uma região marcada por altas temperaturas e baixa pluviosidade, a combinação entre tecnologia e manejo eficiente permite a produção de uvas de mesa de alta qualidade, projetando o Brasil rumo ao mercado internacional.

Yuri Daniel, Coordenador de Desenvolvimento de Mercado da Korin Agricultura e Meio Ambiente, explica que as videiras são estruturadas em sistema de parreiras, a cerca de 1,80 metro do solo, favorecendo a aeração, luminosidade e manejo. “Nesse modelo produtivo, o equilíbrio da planta depende diretamente da qualidade do solo, não apenas em seus aspectos físicos e químicos, mas, sobretudo, biológicos. A vitalidade microbiológica é determinante para a sanidade das plantas, o desenvolvimento radicular e o enchimento uniforme dos cachos”.

Focando na saúde do solo, Petrolina (PE) foi palco de um estudo de campo com insumo biológico. O objetivo foi avaliar os impactos da tecnologia nas condições do solo e na produtividade das videiras.

Os resultados evidenciaram avanços consistentes. “Após a aplicação, o teor da matéria orgânica do solo aumentou mais de 30%. Também foi observada maior atividade biológica e incremento no desenvolvimento radicular, com presença mais intensa de raízes novas nos primeiros 10 centímetros do solo, região estratégica para absorção de água e nutrientes”, destaca Yuri.

A melhoria do ambiente do solo refletiu-se diretamente em desempenho produtivo. Com aplicação semanal, o peso médio dos cachos teve incremento de mais de 20%. “O ganho indica não apenas maior produtividade, mas também aumento da rentabilidade, fator decisivo em uma cultura altamente tecnificada e orientada à exportação”, completa Yuri.

Os dados reforçam que o uso de biológicos vai além da substituição de insumos convencionais. Trata-se de uma estratégia para ter solos mais equilibrados e resilientes, capazes de sustentar ciclos produtivos intensivos com maior estabilidade e retorno econômico.

Em um cenário de crescente exigência por qualidade, sustentabilidade e eficiência produtiva, o estudo conduzido no Vale do São Francisco demonstra que investir na saúde do solo é um diferencial competitivo para a viticultura no semiárido brasileiro.

Lucas Limão

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