Dezenas de produtores rurais participaram do 3º Dia do Campo na Fazenda Experimental Pedra Mole, no Distrito de Bate Pé, em Vitória da Conquista. O evento discutiu as vantagens econômicas do umbu gigante, fruto típico do semiárido baiano que promete diversificar a produção e aumentar a renda dos agricultores da região.

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) apresentou estratégias para expandir a cultura do umbu gigante no estado. O encontro reuniu agricultores que buscam alternativas rentáveis para suas propriedades.
O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, destacou o acordo de cooperação técnica que a secretaria assinou com Vitória da Conquista em 2024. A parceria visa criar jardins clonais em outros municípios baianos.
“Trabalhamos para que o umbu gigante se torne uma cultura acessível a todos os produtores, oferecendo mais uma fonte de renda lucrativa. Queremos mostrar ao país e ao mundo essa maravilha do Nordeste brasileiro”, afirmou Pinheiro Filho.
Vitória da Conquista amplia produção de mudas e mira liderança nacional
O secretário de Desenvolvimento Rural de Vitória da Conquista, Breno Farias, revelou que o município planeja dobrar a produção de mudas. Atualmente, a Fazenda Experimental produz cinco mil mudas por ano
“Mais da metade do território de Vitória da Conquista está no semiárido, condição ideal para o umbu. Queremos nos tornar o principal produtor de umbu gigante do país e ajudar outros municípios através da cooperação com a Seagri”, declarou Farias.
O agricultor Nelito Araújo, 70 anos, demonstrou entusiasmo ao receber mudas para plantar em seu sítio no distrito de São Sebastião. O produtor, que tradicionalmente cultiva mandioca e palma, vê no umbu gigante uma chance de diversificar a renda.
“Me interessei pelo umbu gigante por ser mais produtivo e rentável. O fruto serve para doce, para polpa e pode gerar um dinheiro extra na propriedade”, comemora Araújo.
Fruto três vezes maior garante maior lucratividade
O umbu gigante equivale a três frutos do tipo tradicional. A espécie oferece maior quantidade de polpa, que produtores transformam em doces, geleias e bebidas de alto valor agregado.
O mercado paga R$ 15 por quilo do umbu gigante, enquanto o litro do fruto comum custa R$ 10. A modalidade premium, com frutos acima de 130g, alcança valores ainda maiores.
A natureza selecionou o umbu gigante de forma natural, sem desenvolvimento em laboratório. Agricultores cultivam a espécie através de enxerto e realizam o plantio no período chuvoso.
As raízes armazenam água em tubérculos, o que garante resistência durante a seca característica do semiárido. Essa adaptação natural torna o umbu gigante uma opção estratégica para produtores da região.