Produtores descobrem no umbu gigante nova fonte de lucro no semiárido Vitória da Conquista promove 3º Dia do Campo e reúne dezenas de agricultores interessados na cultura Por Henrique Rodarte

Dezenas de produtores rurais participaram do 3º Dia do Campo na Fazenda Experimental Pedra Mole, no Distrito de Bate Pé, em Vitória da Conquista. O evento discutiu as vantagens econômicas do umbu gigante, fruto típico do semiárido baiano que promete diversificar a produção e aumentar a renda dos agricultores da região.

Foto: Seagri/BA

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) apresentou estratégias para expandir a cultura do umbu gigante no estado. O encontro reuniu agricultores que buscam alternativas rentáveis para suas propriedades.

O diretor de Desenvolvimento da Agricultura da Seagri, Assis Pinheiro Filho, destacou o acordo de cooperação técnica que a secretaria assinou com Vitória da Conquista em 2024. A parceria visa criar jardins clonais em outros municípios baianos.

“Trabalhamos para que o umbu gigante se torne uma cultura acessível a todos os produtores, oferecendo mais uma fonte de renda lucrativa. Queremos mostrar ao país e ao mundo essa maravilha do Nordeste brasileiro”, afirmou Pinheiro Filho.

Vitória da Conquista amplia produção de mudas e mira liderança nacional

O secretário de Desenvolvimento Rural de Vitória da Conquista, Breno Farias, revelou que o município planeja dobrar a produção de mudas. Atualmente, a Fazenda Experimental produz cinco mil mudas por ano

“Mais da metade do território de Vitória da Conquista está no semiárido, condição ideal para o umbu. Queremos nos tornar o principal produtor de umbu gigante do país e ajudar outros municípios através da cooperação com a Seagri”, declarou Farias.

O agricultor Nelito Araújo, 70 anos, demonstrou entusiasmo ao receber mudas para plantar em seu sítio no distrito de São Sebastião. O produtor, que tradicionalmente cultiva mandioca e palma, vê no umbu gigante uma chance de diversificar a renda.

“Me interessei pelo umbu gigante por ser mais produtivo e rentável. O fruto serve para doce, para polpa e pode gerar um dinheiro extra na propriedade”, comemora Araújo.

Fruto três vezes maior garante maior lucratividade

O umbu gigante equivale a três frutos do tipo tradicional. A espécie oferece maior quantidade de polpa, que produtores transformam em doces, geleias e bebidas de alto valor agregado.

O mercado paga R$ 15 por quilo do umbu gigante, enquanto o litro do fruto comum custa R$ 10. A modalidade premium, com frutos acima de 130g, alcança valores ainda maiores.

A natureza selecionou o umbu gigante de forma natural, sem desenvolvimento em laboratório. Agricultores cultivam a espécie através de enxerto e realizam o plantio no período chuvoso.

As raízes armazenam água em tubérculos, o que garante resistência durante a seca característica do semiárido. Essa adaptação natural torna o umbu gigante uma opção estratégica para produtores da região.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *