
— Tinha óleo na sexta-feira. Mas foi feito um multirão de limpeza, com ajuda da prefeitura, da CPRH e de voluntários, conseguimos limpar — afirmou Elvino.
— A nossa posição é que as pessoas não entrem na água nas praças onde ainda têm presença de óleo visual pois o contato pode ter consequências. A responsabilidade é do banhista. Caso não tenha óleo, pode tomar seu banho — concluiu.
O órgão ainda não confirmou se Muro Alto voltou a receber óleo neste sábado. O estado ainda vai divulgar quais e quantos pontos do litoral pernambucano foi contaminado nas últimas horas.
Segundo Elvino, é imprevisível saber onde as manchas aportarão. Isso depende, segundo ele, do movimento das marés
‘Completamente apta’
Nesta sexta-feira, depois de duas praias da região metropolitana de Recife amanhecerem manchadas de óleo — assim como uma praia em Ilhéus, no Sul da Bahia —, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, molhou os pés no mar de Ipojuca (PE) e alegou não ter visto manchas de óleo.
— A região aqui está completamente apta à frequentação de turistas. Não só Pernambuco, mas os estados do Nordeste que foram atingidos tiveram uma ação por parte do PNC, onde o ministro do Meio Ambiente ( Ricardo Salles ) liderou esse processo de forma muito eficiente — declarou.
Antônio negou que o governo tenha demorado em reagir ao vazamento de óleo. Reportagem do GLOBO de ontem mostrou que a União violou uma série de processos que levariam ao acionamento do PNC no dia 2 de setembro — a medida só ocorreu 41 dias depois, em 11 de outubro.
A Petrobras divulgou ontem que o óleo é proveniente de três campos da Venezuela e que a estatal não tem os instrumentos necessários para controlá-lo.
— Ainda não se definiu a origem do vazamento. A gente viu por satélite, fez sobrevoos e não pegamos esse óleo, pois ele vem pelo fundo (do mar). Fica praticamente impossível segurar por barreira ou outros instrumentos que temos — disse Eberaldo Neto, diretor de Assuntos Corporativos da estatal. — Os mecanismos que a gente detêm são agulha no palheiro para pegar, por conta da característica desse óleo, que é mais pesado , vem por baixo.
Governo ignorou nota técnica
Uma nota técnica encaminhada em abril passado à Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), elaborada por um analista da pasta, alertou que a extinção de três comitês poderia fragilizar a reação do governo federal diante de incidentes de poluição por óleo , como o que acabou acontecendo quatro meses depois, no Nordeste.
Apesar de reivindicar “medidas necessárias e urgentes” para a recriação dos colegiados, a nota foi ignorada. Ela data de 26 de abril, 15 dias após a publicação do decreto 9.759/2019, assinado por Jair Bolsonaro , que revogou uma série de colegiados considerados “supérfluos”. A tesourada atingiu os três comitês concebidos pelo decreto de 2013 que instituiu o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC).








