A Frente Povo Sem Medo, composta por dezenas de movimentos sociais e sindicais contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), realiza na manhã desta quinta-feira, 28, uma série de bloqueios em avenidas e rodovias de oito Estados e do Distrito Federal. O objetivo da frente é “parar o Brasil” em protesto contra o afastamento da presidente.No começo do mês, durante reunião com essas entidades na sede do PT, em São Paulo, o ex-presidente Lula exortou-os a “parar o Brasil” com manifestações e bloqueios. Guilherme Boulos, do MTST, fez um discurso radical, assumindo a responsabilidade de liderar as primeiras ações.
A maioria das manifestações acontece na cidade de São Paulo. Na Marginal do Tietê, um grupo de manifestantes interdita a pista local no sentido Ayrton Senna, próximo ao Sambódromo. O trânsito já está muito congestionado. Eles bloqueiam todas as faixas ateando fogo em pneus e pedaços de madeira. As chamas formam uma cortina densa de fumaça preta na região.
Pelo Facebook, o MTST confirmou nesta quinta que há 14 bloqueios organizados só em São Paulo. “O objetivo da mobilização é denunciar o golpe em curso no país e defender os direitos sociais, que entendemos estarem ameaçados pela agenda de retrocessos apresentada por Michel Temer caso assuma a Presidência. Não aceitaremos golpe. Nem nenhum direito a menos”, diz o texto divulgado pelo MTST.
Em Sumaré, no interior de São Paulo, o objetivo é “sitiar” a cidade fechando todos pontos de acesso ao município. Além disso a frente prepara bloqueios em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás.
Encontro com Dilma
As manifestações com o “Contra o Golpe e Pela Democracia” acontecem três dias depois de Dilma receber no Palácio do Planalto representantes do MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Central Única dos Trabalhadores.
No encontro, Dilma ouviu pedidos para que aproveitasse os últimos dias antes da votação do processo no Senado para fazer acenos em direção à base que a reelegeu. Um dos pedidos é a nomeação de integrantes dos movimentos para preencher vagas deixadas por partidos que abandonaram o governo para apoiar o impeachment e entregaram seus cargos no governo.
Segundo relatos, os representantes dos movimentos sugeriram que Dilma tomasse uma série de ações que teriam como objetivo garantir a unidade das entidades na reta final da resistência ao impeachment e na oposição a um eventual governo Michel Temer. Entre elas reajustar o valor do Bolsa Família, retirar projetos enviados ao Congresso que afetam direitos dos trabalhadores, anunciar uma série de desapropriações agrárias e retomar as contratações de empreendimentos do Minha Casa Minha Vida.
Segundo participantes da reunião, Dilma ouviu com atenção e ficou de avaliar os pleitos.