Mais de dez médicos obstetras pediram demissão e cumprem aviso prévio no Hospital Dom Malan em Petrolina, no Sertão pernambucano. De acordo com o Cremepe, 18 profissionais da especialidade de obstetrícia e ginecologia permanecem atuando na instituição, mas ameaçam deixar a unidade hospitalar devido a sobrecarga de trabalho.
Para resolver a situação, o Ministério Público de Pernambuco fez uma reunião nesta quarta-feira (7) em Petrolina, com Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Secretaria Estadual de Saúde, Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e representante do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), responsável pela gestão do hospital.
De acordo com o presidente do Cremepe, Sílvio Rodrigues, a preocupação é que não tenham profissionais para atender a população. “No final do ano passado, o Cremepe foi acionado por conta da situação dos médicos obstretas do Dom Malan e conversamos com a diretoria da unidade, mas nada foi resolvido até então. Hoje o hospital tem funcionado com dois obstetras de plantão e uma restrição no atendimento”, esclarece.
A especialidade de obstetrícia envolve a triagem, o parto, as cirurgias, tratamento de doenças ginecológicas, enfermaria e outros procedimentos. Segundo Sílvio, o ideal seriam cinco obstetras em cada plantão no Hospital Dom Malan. Em relação à demanda de atendimentos, ele aponta a questão do funcionamento precário de unidades vizinhas. “Existem salas de parto que estão fechadas como em Lagoa Grande-PE e isso sobrecarrega o atendimento”.
Além da reunião realizada pelo Ministério Público, o Sindicato dos Médicos de Pernambuco fará uma assembleia também no dia 7 de janeiro à noite para discutir a situação da unidade de saúde.
O superintendente do Hospital Dom Malan, Marcelo Marques de Souza Lima, confirma as demissões e esclarece que teve que redistribuir as escalas dos médicos. “Temos uma escala com quatro plantonistas e reduzimos para três. O Dom Malan é referência para atendimentos de alto risco. Mas atende 60% de baixo risco e 40% de alto risco. Por isso, estamos redirecionando para as maternidades vizinhas como em Juazeiro, na Bahia, os casos de baixo risco até a regularização das escalas médicas”.
Marcelo explica ainda que as demições têm motivações específicas. “Os médicos vão fazer treinamentos fora da cidade e situações relcionadas ao serviço de plantão em outros hospitais e alegações relativas a sobrecarga de trabalho também”, disse.
Enquanto houver limitação de profissionais, Marcelo relata que providências serão tomadas para manter o funcionamento. “Estamos fazendo o redimensionamento das escalas e vamos trazer médicos de fora para compor a escala de plantão de, no mínimo, três profissionais. Queremos até o dia 31 de janeiro ter uma solução para essa questão”, afirma o superintendente.
